terça-feira, 26 de julho de 2011

Eu.



Hoje, eu percebi que sou narcisista, que só falo de mim e adoro isso. É porque o dia todo eu tenho que entender os outros, compreender, me colocar no lugar pra saber o porquê de não fazerem do meu jeito. De manhã, você entende que, mesmo atrasada, o porteiro pode não ter te visto na porta e por isso demorou a abrir o portão. Você entende que, ao esperar o ônibus, aquela simpática moça com sacolas não ficou exatamente no seu campo de visão de propósito. Ao chegar ao trabalho, você entende se alguém te olha torto, porque afinal, todos temos dias difíceis. Daí você exausto, com um notebook pesado nas costas, e um moleque de moletom fica sentado na cadeira, na sua frente. Aí você pensa, que nem queria sentar, não fazia questão, mas ele bem que podia segurar só sua mochila. Mas tudo bem, sabe, ele pode ter andado o dia todo. Você chega em casa, mais uma demoradinha do porteiro, que estava no banheiro, ele também tem necessidades fisiológicas. Você tá cansada, fedida e suada, implorando por um chuveiro quente, mas sua irmã está tomando banho naquele momento.

O que acontece é que a gente passa o dia inteiro convivendo com outros universos, o que é impossível. Pessoas diferentes, com personalidades diferentes, dias diversos, manias pessoais, problemas. POXA! Como devemos não nos aliviar ao falar de nós mesmos? É muito fácil conviver comigo, eu sei das minhas manias e as aceito, e se não gosto, ignoro-as fingindo que está tudo bem. Viver em sociedade que é o desafio. Me cansa ter que ser compreensiva o tempo todo, ser educada, ser correta. Mas é o mínimo que devo fazer se esperar o mesmo dos outros.
Começo a escrever sem rumo e sempre acaba uma coisa indefinida, porque mudo muito minhas idéias. E procuro não ler depois, porque não vou achar bom e deletar. Logo, lanço as idéias no ar, e quem sabe um dia elas tomem formato ou criem sentido?

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