E não adianta virar e falar pra mim, até porque todo mundo já fala e eu não obedeço, "vai com calma dessa vez". É impossível. Não que eu seja incuravelmente teimosa nem nada desse tipo, mas eu simplesmente não sei ir com calma. Olhando pra trás não consigo nem ver quantas vezes eu caí com a cara no chão, que me iludi em vão, que construí meus castelos no solo de areia e o mar derrubou. Porém, eu ainda estou aqui, de pé, bamba e com um sorrisão no rosto, porque eu sei que posso cair e levantar.
E essa força não vem de ninguém além de mim.
Pra mim, vento é vendaval, pra mim raio de sol é ouro, pra mim, centavos são milhões, eu vejo coisa onde não tem, me pego de 5 em 5 minutos caçando (e encontrando!) pelo em ovo. Mas eu não sei outro jeito, eu não sou outro jeito. Talvez seja por isso que é tão difícil discutir qualquer relação com os outros, eu não consigo explicar. As vezes o que pra mim não é nada, para eles é tudo. E outras (essas são as piores) o que para eles é normal pra mim é inaceitável. E eu não consigo nem brigar com isso, nem explicar meu ponto de vista, porque não é exatamente um ponto de vista, é mais um jeito de ser e sentir.
Então, um apelo: Não tente encontrar razão para você nas minhas palavras e súplicas, tente entender como um grito desesperado de alguém que sente e não sabe explicar. E não sou só eu, acontece com todo mundo. As pessoas insistem em se tratar de maneira igual sendo diferentes. Eu sou diferente, você é diferente, todo idiota que você já encontrou na vida pode não ser tão idiota assim, apenas diferente.
Eu serei 100% eu, e você será 100% você, e ao invés de tentar encontrar uma média aritmética e virarmos metade um e metade outro, seremos somados e confusos: 200% de confusão.
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